‘Ouro Verde’: MP denuncia mais 3 por supostos desvios de verbas de hospital e detalha esquema de gerenciamento de OSs


Segundo Gaeco, trio atuava conjuntamente com três réus da 1ª fase e formou núcleo ‘G6’ para dividir verbas da saúde. Justiça ainda vai decidir se aceita ou não; caso veio à tona em 2017. Hospital Municipal Ouro Verde, em Campinas
Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
O Ministério Público denunciou à Justiça mais três pessoas, nesta quarta-feira (16), apontadas como “gestores de fato” da Organização Social Vitale, entidade responsável pela administração do Hospital Ouro Verde, em Campinas (SP), à época em que ocorreram supostos desvios de recursos financeiros da unidade de saúde, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O caso veio à tona em novembro de 2017 e outros 18 já respondem a processos criminais.
Segundo nota divulgada pelos promotores no início desta noite, a denúncia tem como base a 5ª fase da Operação Ouro Verde, chamada de “Operação G6”. A Justiça ainda vai decidir se aceita ela ou não.
Os novos denunciados à Justiça, segundo o MP, devem responder pelos crimes de organização criminosa, fraude à licitação e peculato, porque teriam se beneficiado do esquema. Na lista estão:
Walter Souza Pinto, apontado como atual diretor-geral da Organização Social Insaúde;
Carlos José Massarenti
Waldomiro Monforte Pazin, indicado como médico e atual procurador da OS João Marchesi;
“Isso porque, conjuntamente com os réus já denunciados nas fases anteriores, integraram organização criminosa com o fim de cometer crimes, valendo-se da atuação de agentes públicos por equiparação para a prática das infrações penais, tendo inicialmente fraudado o chamamento público 02/2015 na cidade de Campinas e, por ao menos 18 vezes, desviado dinheiro público direcionado à saúde da população”, destaca nota do MP. 
Segundo o Gaeco, os três novos denunciados atuavam com Daniel Câmara, Paulo Câmara e Ronaldo Pasquarelli – alvos da 1ª fase da operação que posteriormente tiveram as delações premiadas homologadas pela Justiça – para gerir três organizações sociais: Vitale, Insaúde e João Marchesi.
“Os lucros indevidos eram igualmente repartidos entre os 06 integrantes do núcleo, denominado por eles próprios ‘G6′”, ressalta outro trecho de nota do MP.
Confira cronograma e lista de réus
Posicionamentos
O G1 tentou contato com Waldomiro Monforte Pazin, por meio de e-mail e telefone disponível em site da sede da OS João Marchesi, mas não houve retorno até esta publicação.
A reportagem não conseguiu localizar nenhum contato ou defensor de Carlos José Massarenti.
O advogado César Augusto Carra, da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Bariri (SP), antiga matriz da OS Vitale, alegou que representa somente a comissão intervencionista da entidade. Além disso, segundo ele, a cobrança da prefeitura deve ser redirecionada para os antigos gestores da filial que estava especificamente envolvida no contrato firmado para a gestão do Hospital Ouro Verde.
A reportagem tentou contato na sede da OS Insaúde, por meio de um número de telefone indicado no site da entidade, mas ninguém atendeu. Já no telefone da mantenedora, que fica na cidade de Bernardino de Campos (SP), a informação é de que se trata de uma “filial” e que a diretoria não fica no local. A funcionária que atendeu ainda disse que o único contato que poderia passar é o da sede.
O G1 tentou, ainda, contato por telefone com a advogada dos três delatores do caso, Helena Regina Lobo da Costa, mas também não houve retorno até esta publicação.
Já a prefeitura informou que acompanha o caso, pediu ressarcimento dos prejuízos à Justiça e espera ver tudo apurado e esclarecido.
Três anos de operação
A Operação Ouro Verde completou três anos em novembro, com todos os processos criminais inconclusos e a prefeitura à espera de receber R$ 42 milhões da Vitale pelos prejuízos no suposto esquema de corrupção. Os resultados das apurações sobre o prefeito, Jonas Donizette (PSB), seguem em sigilo desde que a Procuradoria-Geral de Justiça confirmou que ele era investigado.
Desde que o caso veio à tona, a Justiça já aceitou três denúncias oferecidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra 18 empresários, ex-servidores e funcionários ligados à OS. Todos estão em liberdade.
Sigilo
A Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) confirmou em fevereiro que ainda investigava Jonas, após ele ter sido citado por empresários, em escutas telefônicas gravadas pelo MP, sobre supostas negociações para beneficiar a OS Vitale. Entretanto, desde que a apuração veio à tona, em novembro de 2017, nenhuma informação foi revelada pela instituição sobre o andamento dos trabalhos.
À época da confirmação sobre as apurações, Jonas negou favorecimento e disse que repudiava uso indevido do nome dele. “O prefeito aguarda com muita tranquilidade o resultado das investigações e está, como sempre, à disposição da Procuradoria Geral do Estado”, informava nota da administração.
O que diz a prefeitura?
Em outro texto divulgado em 30 de novembro, sobre os três anos da Operação Ouro Verde, a administração municipal diz que Jonas tomou todas as medidas necessárias.
“Afastou, investigou e demitiu servidores envolvidos, encerrou o contrato com a Vitale, apurou e cobra os prejuízos na Justiça e criou a Rede Mário Gatti [que administra o hospital]. Além disso, todas as investigações feitas nada apontam em relação ao prefeito”, diz texto.
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