Para a população, o que nos interessa é a vida e a liberdade

Foto: Pixabay

Na obra-prima de João Cabral de Melo Neto, o poema dramático “Morte e Vida Severina”, escrito entre 1954/55, transformou em poesia visceral a condição do retirante nordestino, sua morte social e miséria. O personagem Severino em sua trajetória do agreste rumo ao Leste (litoral) assiste a muitas mortes e, de tanto vagar, termina por descobrir que é justamente ela, a morte, a maior empregadora do sertão. É a ela que devem os empregos, do médico ao coveiro, da rezadeira ao farmacêutico. Se vivo estivesse, o nobre poeta e diplomata pernambucano mudaria o rumo de seu personagem, faria com que o retirante pegasse o sentido Oeste, rumo a floresta.

Pelos dados do Site Transparência/Registros os brasileiros menos afetados pelas ações de prefeitos e  governadores foram aqueles que tiveram mais chances de sobreviver em 2020.
Os Estados banhados pela Bacia Hidrográfica Amazônica e os vizinhos do Meio Norte apresentaram os menores percentuais de mortes/habitantes: Amapá (0,35%), Pará (0,37%), Maranhão (0,38%), Piauí (0,41%), Amazonas (0,41%), Roraima (0,45%), Mato Grosso (0,49%), Acre (0,50%), Rondônia (0,50%). Coincidência ? Assuntos para cientistas, pois o que lhes interessa é a pesquisa … para os poetas, o que os inspiram é o drama … para a população, o que nos interessa é a vida e a liberdade.
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