Para atender maior demanda por cerveja em lata, Petrópolis amplia fábrica

A pandemia do novo coronavírus trouxe um comportamento, no mínimo, insólito ao mercado de bebidas alcoólicas. Com as medidas de restrição que transformaram bares e restaurantes em ambientes a serem evitados por muitos consumidores, sobretudo os mais velhos, o consumo dessa categoria de produtos migrou para o lar. Esse movimento elevou a circulação de latas no mercado em detrimento do volume de garrafas de vidro. A mudança do hábito levou a Cervejaria Petrópolis, dona de rótulos como Itaipava, Petra, Black Princess e Calcidis, a ampliar sua linha de produção no polo industrial recém-inaugurado na cidade de Uberaba (MG). Com investimento avaliado em 135 milhões de reais, a capacidade produtiva da maior unidade fabril do grupo passará de 8,6 milhões de hectolitros de cerveja anuais para 11,4 milhões de hectolitros por ano.

Desde o fim de agosto, quando inaugurou o complexo, a fábrica opera duas linhas de produção. Uma terceira, com capacidade produtiva para 128 mil latas por hora, foi iniciada nesta sexta-feira, 11. A quarta unidade produtiva, que já estava prevista no cronograma inicial, deve ser inaugurada em janeiro. O aporte anunciado pela companhia, portanto, será para a expansão da capacidade produtiva em uma quinta linha, que será entregue somente em setembro de 2021. Segundo Marcelo de Sá, diretor-executivo do grupo, os investimentos são uma forma de ganhar terreno num mercado estratégico como Minas Gerais. “Minas Gerais tem 150 mil postos de venda. Nós estamos em 55 mil. temos quase 100 mil para ser conquistados”, afirma ele. “É o terceiro maior mercado do país, mas ainda temos uma penetração pequena, de 9,5%”. Os equipamentos para ampliação da fábrica foram contratados junto à fabricante alemã Krones. A tendência é que, até o fim de 2021, a fábrica já esteja habilitada para produzir, além de cervejas, os energéticos TNT Energy Drink.

Marcelo de Sá, diretor executivo do Grupo Petrópolis: investimento para crescer em solo mineiroSilvia Zamboni/Divulgação

O executivo acredita que há espaço para repetir o trabalho realizado no Nordeste. Segundo números da empresa, a participação de mercado do grupo Petrópolis na região passou de 0,5% em 2003 para 25% atualmente. Para isso, Sá sabe que não é só a ampliação da unidade fabril que conta. Além dos 135 milhões de reais que serão destinados à nova linha da fábrica em Uberaba, a empresa estima investir até 95 milhões de reais em ações de marketing, em logística e novos negócios na região.

A empresa espera crescer 5% em faturamento e 3% em volume no consolidado deste ano. Para o planejamento de 2021, o executivo torce para a imunização dos brasileiros, o que abriria espaço para a realização do Carnaval, ainda que no segundo semestre. “Qualquer data em que seja realizado será importante. Para se ter uma noção, o nosso planejamento de fevereiro, do mês em que acontece o Carnaval, é igual ao de dezembro, tanto em projeção de faturamento como em volume”, diz Sá.

 

 

Patrocínio

Para marcar presença no imaginário do consumidor e ganhar escala no país, o Petrópolis desbancou recentemente a Cervejaria Ambev na disputa para patrocinar os eventos futebolísticos da Rede Globo em 2021. A cota de patrocínio custará 311,7 milhões de reais ao grupo. O acordo só foi possível porque a Ambev, dona de rótulos tradicionais como Skol, Brahma e Antarctica Original, não acertou sua renovação com o grupo televisivo, abrindo espaço para a concorrência assumir o posto. “Essa negociação não é de agora. Tentamos assumir esse espaço há cinco anos. Isso vai ser importante para a penetração no ponto de venda. É um teste de exposição para as nossas marcas. Esperamos que dê retorno, ainda mais com o crescimento do consumo no lar”, diz Sá. Apesar do crescimento do consumo no lar, um estudo realizado recentemente pela Neogrid aponta que está faltando cerveja nas gôndolas. A taxa de ruptura, índice que demonstra a falta de produtos nos supermercados brasileiros, chegou a 18,9% em novembro deste ano — no começo de 2020, esse indicador girava em torno de 10%.

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