Passageiros reclamam de ônibus lotados e aglomerações em terminais em várias capitais

No Rio, a tentativa de diminuir a aglomeração no transporte público não funcionou muito. Os especialistas dizem que as aglomerações no transporte público são por falta de planejamento. Um dos maiores desafios tem sido reduzir a lotação em ônibus
Em várias capitais brasileiras, um dos maiores desafios tem sido diminuir a aglomeração no transporte público.
Pouco mais de seis horas da manhã e já não dá para ver o fim da fila dos passageiros do BRT na estação de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Centenas de pessoas tentando ir para o trabalho em uma rotina arriscada em tempos de pandemia. A maioria usa máscara, mas não há distanciamento.
“A gente está vivendo no meio de uma pandemia. Cada dia que passa, está difícil a situação. E os ônibus vão superlotados, umas em cima da outra”, conta um passageiro.
Na sexta passada (11), a prefeitura do Rio anunciou medidas para tentar conter o avanço da Covid. Fez escalas para o horário de entrada de funcionários da indústria, do comércio e de serviços para diminuir a lotação no transporte público. Mas a reclamação dos passageiros nesta segunda-feira (14) no centro do Rio é que o número de ônibus também diminuiu.
“Já esperei 20, 25 minutos em pé e depois entra dentro do ônibus ainda fica esperando”, diz uma senhora.
Ônibus lotados também em Belo Horizonte, onde os passageiros se aglomeram, principalmente nos horários de pico. E transporte público abarrotado em Salvador.
O risco de contaminação é grande ainda na temporada de viagens, que começa agora. Na rodoviária do Rio, além de corredores lotados, pessoas sem máscaras fora e dentro dos ônibus. A equipe do Jornal Nacional não viu nenhuma fiscalização.
E para quem decide ir de avião, também é preciso cuidado. No aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, a espera para o embarque é sem nenhum distanciamento. Não existem bancos bloqueados para uso.
No Galeão, no Rio, por volta das dez da manhã, um passageiro registrou essa quantidade de gente na fila para o raio-X.
Os especialistas dizem que as aglomerações no transporte público são resultado da falta de planejamento, que as autoridades tiveram tempo tiveram, desde o início da pandemia, para traçar estratégias que diminuíssem o risco para os passageiros. Mas não é isso que se vê no dia a dia.
“O ideal é você ter mais ofertas de transporte público, diminuir o intervalo entre a espera do meio de transporte, e isso tudo a gente chama de redução de danos”, disse o médico infectologista Fernando Chapermann.
“É uma multidão em cima dos outros, tossindo, espirrando. Como não vai pegar? E a falta de higiene? Como é que não vai pegar Covid?”, diz uma passageira.
As prefeituras do Rio e de Belo Horizonte disseram que vão aumentar a fiscalização em linhas de ônibus.
A empresa que administra o aeroporto do Galeão afirmou que utiliza mapas de calor gerados a partir de sinais de Wi-fi para identificar pontos com aglomeração.
A concessionária que administra o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, disse que adotou várias medidas para orientar o distanciamento das pessoas nos locais de inspeção para embarque.
A Agência Nacional de Aviação Civil declarou que os protocolos sanitários no setor aéreo seguem as determinações da Anvisa.
A rodoviária do Rio afirmou que segue todas as recomendações do Ministério da Saúde e da OMS.
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