Pesquisadores lamentam que plano de vacinação não tenha ficado pronto há mais tempo

Mas os pesquisadores ouvidos pelo Jornal Nacional enfatizaram a qualidade dos cientistas que trabalharam na elaboração do documento. Pesquisadores lamentam que plano de vacinação não tenha ficado pronto há mais tempo
Pesquisadores ouvidos pelo Jornal Nacional lamentaram que o plano de vacinação contra a Covid não tenha ficado pronto há mais tempo, mas enfatizaram a qualidade dos cientistas que trabalharam na elaboração do documento.
“O plano existir ele é tardio, mas é positivo. Temos que vê-lo como algo positivo, bem concebido, tem a participação de pessoas de grande expressão no Brasil, pessoa que entendem de vacina”, disse Margareth Dalcolmo, pneumologista da Fiocruz.
A meta de vacinar cerca de 51 milhões de pessoas no primeiro semestre de 2021 é vista com certa reticência.
“Esse é um grande desafio para o programa nacional de imunizações. A gente ainda não tem exatamente a definição de que essas vacinas, essas 300 milhões de doses estarão no país num período de tempo quiçá curto. De preferência, curto”, afirmou Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.
“Vacinar 51 milhões de pessoas e em seis meses é um grande desafio. Temos o Programa Nacional de Imunização, é um orgulho nacional. É reconhecido internacionalmente. É o maior programa que existe. O problema não seria do PNI, mas a desarticulação que até agora reinou entre os entes federados, municípios, estados e governo federal, isso sim pode prejudicar muito, ou seja, a politicagem pode nos atrapalhar e isso será lamentável”, explicou o infectologista Roberto Medronho, da UFRJ.
“O ideal seria que o plano contivesse data prevista de início, mas ele não pode fazê-lo, por quê? Porque não sabemos quando teremos vacina. A vacina da AstraZeneca não está pronta e é possível que tenha algum atraso nesse cronograma. A vacina da CoronaVac hoje se encontra em certo litigio que terá que ser resolvido entre o estado de São Paulo e o governo federal, o registro dela no Brasil”, disse Margareth Dalcolmo.
A compra de seringas, de responsabilidade dos estados, pode ser um entrave. Segundo os especialistas, é necessária uma coordenação do governo federal.
“Seria necessário que essa coordenação organizasse inclusive a aquisição de insumos, porque já sabemos que há uma quantidade de pedidos absolutamente impossível de ser respondida no mundo real brasileiro, com 700 milhões de pedidos de seringas e agulhas, de maneira desordenada, cada um pedindo de um jeito. Isso é impossível. Será necessário que essa coordenação central organize. Inclusive, o provimento dos insumos necessários para que o PNI mostre sua enorme capacidade logística”, alertou Margareth Dalcolmo.
Causou estranheza o fato de o plano não incluir as doses da CoronaVac na conta de vacinas garantidas pelo governo ou em negociação. A vacina é desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech e fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan, em São Paulo.
“Toda vacina segura e eficaz, independentemente da sua origem, deve ser utilizada na nossa população”, disse Medronho.
“Então é uma tecnologia apropriada para o Brasil, apropriada para a nossa cadeia de frio, e não existe nenhum motivo técnico para que a CoronaVac não seja incluída no plano nacional”, afirmou Natalia Pasternak, microbiologista do Instituto Questão de Ciência.
A vacinação de maneira escalonada, em quatro fases, foi vista de maneira positiva.
“O plano traz os grupos prioritários definidos de acordo com o risco de exposição e o risco de desenvolver doença grava e morte, o que também é bem adequado”, diz Pasternack.
“Nesse primeiro momento esses grupos são aqueles que mais apresentam doença grave, que mais morrem e mais hospitalizam por Covid. Esse tem que ser e é a prioridade no mundo inteiro. À medida que a gente tiver mais e mais doses, novos grupos vão ser provavelmente, certamente, incluídos”, ressaltou Ballalai.
Chamou a atenção dos cientistas o reconhecimento do Ministério da Saúde da importância do distanciamento social enquanto a vacina não se torna uma realidade no país.
O Plano Nacional de Vacinação contra a Covid afirma que para interromper a transmissão da doença sem colapso dos serviços de saúde haveria a necessidade de adoção de medidas de distanciamento social.
“Distanciamento social, uso de máscara e higienização das mãos e a vacina que temos no momento, e essa todos nós temos o dever de estar atentos a essas medidas”, disse Medronho.
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