Pesquisadores navegam pelo São Francisco por 11 dias para avaliar a saúde do rio

Ao todo, 47 pesquisadores de universidades federais do Norte e Nordeste participaram da avaliação. Eles coletaram amostras de água, de plantas, do fundo e nas margens do rio. Pesquisadores percorreram o São Francisco para avaliar as condições do rio
Durante 11 dias, pesquisadores navegaram pelo São Francisco para avaliar a saúde de um dos rios mais importantes do país. Do alto, na água, por terra: é a bacia do baixo São Francisco, da represa de Xingó à foz, sendo examinada por 47 pesquisadores de universidades federais do Norte e do Nordeste. Eles coletam amostras de água, de plantas, do fundo e nas margens do rio.
A missão de Jussilene é examinar com ultrassonografia como anda a saúde dos peixes do Velho Chico.
“Aqui a gente está avaliando a musculatura, se há parasitas ou não, se ela está ovada, na fase reprodutiva ou não”, explica Jussilene Cavali, zootecnista da Universidade Federal de Rondônia.
O rio está bem mais cheio do que nas primeiras expedições, em 2018 e 2019. Os cientistas querem saber se as águas estão menos poluídas. Segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, quase todas as cidades estão despejando esgoto sem tratamento no rio.
“Apenas uma cidade da bacia trata 100% do esgoto, uma cidade da calha do Rio São Francisco. Mais de 150 cidades da beira do São Francisco jogam esgoto diretamente in natura no rio. E isso causa uma enorme carga de poluição, que afeta os peixes, afeta inclusive a qualidade do abastecimento da água”, conta Maciel Oliveira, vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco.
Esse é o momento em que os pesquisadores mais trabalham. Barcas atracadas entram em ação: análise de tudo o que é coletado na água e nas margens do São Francisco. E a tecnologia é a principal aliada nessa busca por resultados.
É com equipamentos de última geração que eles analisam a carga de poluentes e os riscos para os moradores ribeirinhos e os turistas, que consomem a água e os alimentos que saem do rio. Além do esgoto, tem o óleo das embarcações de pesca e turismo, que também poluem.
“Prejudica a fauna, prejudica a flora, a questão dos peixes inalar isso aí. Esses óleos, a depender do tipo de óleo, eu posso ter metais pesados juntos. Também vão acabar ficando retidos esses peixes, então o mal é bastante grande”, avalia João Inácio Soletti, engenheiro da Universidade Federal de Alagoas.
A pesquisa não termina aqui: todo o material vai para os laboratórios das universidades. O raio-x completo das condições de um dos rios mais importantes do país deve ser concluído em cinco meses.
“A maior quantidade de dados já levantados no baixo São Francisco, desde a primeira expedição, a segunda. Nós temos três cenários agora, o cenário em 2018 com 550 metros cúbicos, o cenário em 2019 com 1.300 metros cúbicos por segundo e o cenário 2020 com 2.700 metros cúbicos por segundo. Vamos ter três variáveis aí diferentes, para nós avaliarmos e compararmos um com o outro”, explica Emerson Soares, coordenador da expedição.
“É um rio que todo mundo gosta, é um rio muito bonito, é o que dá vida aqui à região. Então eu só tenho a agradecer”, diz o pescador Josymar Tavares.
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