Plano permite permanência na beira da praia do Litoral Norte do RS mesmo em bandeira vermelha


Entre as medidas, ficam permitidos o uso da faixa de areia, 50% da lotação de lojas e shoppings e até música ao vivo. Veja os principais protocolos. Praia de Tramandaí, no Litoral Norte, teve grande movimentação no feriado de 12 de outubro
Reprodução/RBS TV
Os municípios do Litoral Norte do RS atualizaram os protocolos do modelo de cogestão e poderão permitir a permanência do público na faixa de areia das praias mesmo em cidades classificadas em bandeira vermelha no modelo do distanciamento controlado. O plano foi aceito, após alguns ajustes, nesta quinta-feira (17), pelo governo do estado.
Entre as medidas, está a autorização para ficar em locais públicos abertos como ruas, calçadas, parques, praças, faixa de areia, mar, lagoa, rio e similares. Para isso, algumas regras devem ser obedecidas, como o distanciamento interpessoal mínimo de 1 metro e uso obrigatório de máscara cobrindo boca e nariz.
“A cogestão permite adotar protocolos da bandeira inferior. Dentro deles, estavam ou mais restrito ou no mínimo igual a cada protocolo da bandeira laranja. Neste caso, são mais restritos. Eles colocaram um critério da [bandeira] vermelha, que é o decreto municipal pra coibir aglomeração”, afirma Leonardo dos Santos Lages, diretor da Secretaria de Articulação e Apoio aos Municípios.
O plano também exige que decretos municipais prevejam mecanismos para viabilizar a fiscalização. Segundo Lages, o plano contempla o aumento no fluxo de pessoas ao litoral no verão.
“Por isso se exige o comitê técnico. Cada região, tem sua particularidade”, comenta.
Veja alguns dos principais pontos do novo plano de cogestão para as regiões 4 e 5, que têm Capão da Canoa como referência, mas englobam 23 cidades:
Ocupação de ruas, parques, praças e faixa de areia — 100% com distanciamento de 1m e uso obrigatório de máscaras
Restaurantes, bares e lancherias — 50% da lotação com música ao vivo ou mecânica em volume ambiente, no máximo até 1h da madrugada e sem a prática de dança
Hotéis — Estabelecimentos sem o Selo Turismo Responsável do MTur, 60% de lotação; estabelecimentos com Selo Turismo Responsável do MTur, 75%; e estabelecimentos com até 10 habitações/unidades isoladas (chalés, apartamentos isolados e similares, com banheiros exclusivos e refeições independentes e/ou agendadas), 75%
Hotéis em beira de estrada — 100% dos quartos
Comércio atacadista não essencial — 50% dos trabalhadores
Comércio atacadista essencial — 75% dos trabalhadores
Comércio varejista não essencial de rua e de shoppings — 50% da lotação
Comércio varejista essencial (mercados, padarias e postos de combustíveis) — 75% da lotação em estabelecimentos de rua e 50% em shoppings
Indústria (em geral) — 75% dos trabalhadores
Parques temáticos e turísticos — 50% de trabalhadores e 25% de público (exclusivo locais com Selo Turismo Responsável do MTur)
Parques e reservas naturais, jardins botânicos e zoológicos — 50% de trabalhadores e 25% de público (somente áreas externas, com demarcação no chão de áreas de permanência distanciada de grupos de, no máximo, oito pessoas)
Eventos em teatros, auditórios, casas de espetáculos, casas de show, circos e similares — 50% da capacidade com 1m de distanciamento e outras restrições, como proibição de alimentação no local
Espetáculos tipo drive-in (cinema, shows etc.) — 75% da capacidade
Museus, centros culturais e bibliotecas — 50% de trabalhadores e 25% do público
Ateliês e atividades culturais — 25% dos trabalhadores
Cinemas, seminários, congressos, reuniões corporativas, festas infantis, casas noturnas, pubs e bares em ambiente fechado ou aberto com público em pé — fechado
Academias, clubes sociais com piscina e similares — 50% de trabalhadores e lotação com distanciamento, sem contato físico, material individual e uma pessoa para cada 10m² de área útil. Fechamento de áreas comuns
Atividades esportivas profissionais — 25% dos trabalhadores e adesão integral aos protocolos das entidades promotoras
Salões de cabelereiro e barbeiro — 25% dos trabalhadores e com atendimento individualizado por ambiente
Petshop — 25% dos trabalhadores com atendimento restrito
Missas — 30% do público e distanciamento de 2m
Bancos, lotéricas e similares — 75% dos trabalhadores, com atendimento presencial restrito
Imobiliárias — 50% dos trabalhadores, com atendimento presencial restrito
Condomínios — 75% dos trabalhadores e restrições como fechamento de áreas comuns e higienização
Transporte coletivo de passageiros (municipal) — 60% capacidade total do veículo 
Transporte coletivo de passageiros (metropolitano tipo executivo/seletivo) — 100% assentos
Transporte coletivo de passageiros (metropolitano tipo comum) — 70% assentos
Transporte rodoviário de passageiros (intermunicipal, tipo Comum, Semidireto, Direto, Executivo ou Seletivo) — 75% assentos
Transporte rodoviário de passageiros (interestadual) — 50% assentos de janela
Correios, serviços postais e similares — 75% dos trabalhadores
Nos segmentos que contemplem mais de uma atividade os protocolos de segurança devem ser obedecidos, assim como as portarias e decretos estaduais.
Especialistas cobram medidas mais rígidas
Pelo decreto do governo gaúcho que retomou a cogestão e modificou os protocolos de bandeira vermelha, o comércio de rua e os shoppings podem receber clientes até 22h e fechar as portas, obrigatoriamente, às 23h. A medida atende, principalmente, a demanda do setor varejista neste fim de ano.
“Temos que manter mais tempo de horário comercial para que haja menos aglomerações. A nossa pesquisa de compra de final de ano demonstrou que as pessoas vão comprar na última semana do Natal, como sempre, e vai haver acúmulo se não estendermos os horários um pouco mais nesses dias”, diz o presidente da Fecomércio, Luiz Carlos Bohn.
Porém, especialistas ponderam que o momento exige medidas mais rígidas. Para a médica Andréa Dal Bó, integrante da Sociedade Rio-Grandense de Infectologia, o sistema de saúde está no limite.
“Não estamos perto do colapso, nós já estamos no colapso. Estamos evoluindo para um colapso de rede funerária, o que é pior, né? As pessoas vão continuar se agrupando, sem máscara, compartilhando utensílios como chimarrão, fazendo eventos em casa, e isso vai continuar disseminando a Covid-19. Eu sou a favor de medidas mais restritivas neste momento”, afirma.
Nesta quinta-feira, as regiões 4 e 5 estavam com 88,5% dos leitos de UTI ocupados nos sete hospitais da região, e havia apenas cinco leitos SUS disponíveis.
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