Polícia Federal prende duas desembargadoras na Bahia

A operação investiga a venda de decisões judiciais para facilitar a legalização de terras invadidas por grileiros. PF prende duas desembargadoras na Bahia suspeitas de favorecem grileiros
A Polícia Federal prendeu, na Bahia, duas desembargadoras na operação que investiga a venda de decisões judiciais para facilitar a legalização de terras invadidas por grileiros.
Policiais federais estiveram no Tribunal de Justiça da Bahia logo cedo. Por decisão do Superior Tribunal de Justiça, os agentes prenderam as desembargadoras Lígia Maria Ramos Cunha e Ilona Márcia Reis.
A Polícia Federal investiga se elas venderam decisões judiciais a grileiros de terra. Segundo o MPF, a desembargadora Lígia Cunha recebeu R$ 400 mil para traficar influência no julgamento de um recurso que era de interesses dos criminosos. Ainda de acordo com o MPF, a desembargadora Ilona Reis recebeu R$ 300 mil de propina para também dar decisões favoráveis aos grileiros.
O STJ ordenou também a prisão do operador Ronilson Pires Carvalho, que seria ligado a outro desembargador investigado, Gesivaldo Brito.
A PF esteve na sede da Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e na casa do secretário de Segurança, Maurício Barbosa. Segundo o MPF, a secretaria teria realizado operações policiais para combater um grupo rival na disputa de terras.
O MPF diz que a promotora Ediene Lousado vazou informações de uma operação do Ministério Público Estadual para a chefe de Gabinete do secretário de Segurança, Gabriela Caldas. Por causa disso, o STJ afastou das funções por um ano o secretário de Segurança, a chefe de Gabinete dele e a promotora.
Outras quatro pessoas também estão afastadas, entre elas o desembargador Ivanilton Silva Filho e o juiz João Batista de Alcântara Filho.
Desde novembro do ano passado, a operação Faroeste vem investigando um esquema de venda de decisões judiciais em processos de disputa de terras no oeste da Bahia, envolvendo desembargadores e juízes baianos. Segundo o Ministério Público Federal, as decisões judiciais seriam usadas para legalizar terras griladas. O esquema teria a participação também de advogados e laranjas.
A disputa de terra no estado envolve uma área de mais de 360 mil hectares em uma região de agronegócio, com grande produção de soja, milho e algodão. O esquema chegaria a R$ 1 bilhão.
Nas primeiras fases da operação Faroeste, quatro desembargadores e dois juízes já tinham sido presos, além de empresários e advogados.
O governo da Bahia declarou que, além do secretário de Segurança, afastou também a chefe de Gabinete da Secretaria, Gabriela Caldas Rosa de Macêdo.
A defesa de Maurício Barbosa disse que ele refuta com veemência o envolvimento de seu nome na operação e que a investigação vai mostrar que as suspeitas são improcedentes.
A defesa da desembargadora Lígia Maria Ramos Cunha afirmou que a prisão, mesmo sendo pelo prazo de cinco dias, é grave e precipitada, e que Lígia Ramos nunca foi chamada a depor.
Ediene Lousado declarou que refuta todos os fatos imputados contra ela e que lutará para provar a sua inocência e reverter a decisão judicial.
O Tribunal de Justiça da Bahia disse que apoia a apuração e esclarecimento de qualquer fato envolvendo magistrados e servidores e que respeitará sempre o direito de ampla defesa.
Não conseguimos contato com as defesas dos desembargadores Ilona Reis, Ivanilton Silva e Gesivaldo Brito e do juiz João Batista de Alcântara Filho.
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