Prefeito de Magé despeja caminhão de lixo no Centro da capital em protesto contra interdição de aterro

Despejo foi feito em frente à sede do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) na manhã deste sábado (26). Em vídeo, o prefeito Rafael Tubarão se disse revoltado com a interdição do aterro diante do caos provocado por temporal no começo da semana. Em protesto contra fim de aterro sanitário, prefeito de Magé joga o lixo em frente ao INEA, no centro do Rio
Faltando cinco dias para o fim do mandato, o prefeito de Magé, Rafael Tubarão, despejou na manhã deste sábado (26) um caminhão de lixo na porta do Instituto Estadual do Ambiente, no Centro do Rio, depois que, segundo ele, o aterro sanitário da cidade foi interditado.
“Estou aqui na mão com a notificação do e-mail que nesta semana depois da chuva, local que mais choveu no estado do Rio de Janeiro, choveram 250 mm em 12h, e o Inea foi para lá interditar o nosso aterro sanitário. Isso é um absurdo com a população de Magé, na antevéspera do Natal”, disse Tubarão.
No começo da tarde, o lixo já havia sido retirado do local.
Magé, município da Baixada Fluminense, sofreu com a chuva da última terça-feira (22). Várias ruas ficaram alagadas e carros foram arrastados pela correnteza. As sirenes de alerta também tocaram no município e uma casa desabou na localidade do Buraco da Onça, mas ninguém ficou ferido.
Neste sábado, quatro duas depois do temporal, o prefeito Rafael Tubarão disse que a cidade continua toda suja e tentou justificar porque jogou o lixo de Magé em outra cidade.
“Hoje a gente passou o Natal em Magé cheio de lixo na nossa cidade porque a prefeitura não pode recolher o lixo da nossa cidade pela interdição da nossa célula sanitária, onde eles alegam ali que transbordou o chorume. Depois de chover 255 mm. Eu não sou técnico, não estou aqui questionando o que está certo ou está errado, estou questionando, sim, que fizeram uma covardia com povo de Magé”, argumentou.
O prefeito disse que decretou situação de calamidade pública por causa do lixo.
O RJ1 percorreu vários bairros de Magé pela manhã e encontrou as ruas tomadas por lixo. Mas, este não é único problema da cidade. Os servidores públicos do município, por exemplo, reclamam que o 13º salário não foi pago até então.
“As enfermeiras, as técnicas hoje fizeram manifestação na porta do hospital, estão fazendo greve. A pessoa não vai ter atendimento se chegar lá, e eu não tiro a razão deles. Eu já ouvi gari falando que está trabalhando nesse mês por amor, para limpar”, disse uma servidora.
Na página oficial da Prefeitura de Magé nas redes sociais, moradores cobraram a coleta de lixo.
“Cadê o caminhão para vir recolher os móveis que se estragaram na enchente aqui no jardim Nazareno?”, questionou um morador. “Sem pagamento e sem coleta de lixo”, disse outro.
Interdição do aterro de Magé
O Inea informou que a interdição do aterro de Magé ocorreu após os técnicos do órgão encontrarem vários fluxos de chorume [resíduo líquido do lixo altamente contaminante] despejados diretamente no solo, além de uma ampla área não impermeabilizada com resíduos expostos.
Segundo o Inea, em 2019 foi emitida uma licença de autorização do aterro sanitário e que, desde então, a prefeitura do município foi diversas vezes notificada e autuada por irregularidades.
O órgão também rebateu a informação do prefeito Rafael Tubarão de que o chorume escorreu por conta da chuva da última terça-feira. Segundo o Inea, o tratamento e a destinação correta dos resíduos é indispensável para evitar esse escoamento.
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