Qualidade do ensino de medicina preocupa, aponta avaliação do MEC

O aumento acelerado no número de escolas de medicina nos últimos pode ter impactado a qualidade dos cursos. Essa é a avaliação do vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Donizetti Giamberardino, sobre as notas dadas aos cursos de medicina do país. Segundo dados do Conceito Preliminar de Curso 2019, apenas 1,7% deles atingiram a nota máxima. A maior parte, 56%, está classificada na faixa quatro. O indicador é calculado com base em outros índices, como o Enade, Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, e o perfil dos professores. As faixas do CPC variam de um a cinco, em que um é o conceito mínimo, e cinco, o máximo.  O curso que obtém conceito um ou dois é automaticamente incluído no cronograma de visitas dos avaliadores do Inep e pode até ser descredenciado.

Giamberardino critica o acréscimo de 178 novos cursos entre 2003 e 2018, de acordo com dados do Ministério da Saúde. “Nenhum país fez isso porque escola médica, por estar muito vinculada à segurança do cidadão, ela tem que ser feita de forma muito criteriosa e tem que ter critérios técnicos”, diz. O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina disse ficar preocupado com o fato de que 42% dos cursos estão entre as classificações três e dois. “Isso mostra que nós temos que ter muita que nós temos que ter muita atenção com curso de medicina e que os conceitos de avaliação devem ser rigorosos. Temos que defender e apoiar o MEC, para que ele consiga desempenhar suas funções sem influências políticas.”

Donizetti Giamberardino ressalta a importância de haver um campus de estágio nas faculdades de medicina, para que os alunos possam fazer treinamentos e capacitações. Segundo ele, esse aspecto foi prejudicado com a abertura indiscriminada de escolas de medicina. Além de medicina, o CPC 2019 analisou outras 28 áreas. Os resultados podem ser encontrados no site do Inep, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.

*Com informações da repórter Nicole Fusco

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