Quer dinheiro de volta? Fala com a Méliuz

A ideia de pagar R$ 100 em uma loja e receber R$ 2 de volta é bastante tentadora, né? Parece pouco, mas aí você começa a pensar no que pode acontecer se todas as compras que você fizer vierem com esse “troco”.

Se ficou inclinado a tentar, parabéns, você é um cliente em potencial da Méliuz, a startup de cashback (dinheiro de volta, em bom português) que estreou na bolsa faz pouquinho, ali no começo de novembro.

Depois de um mês em que muito pouco aconteceu, as ações da empresa tiveram uma alta bonita: 59%. Na estreia, foram cotadas a R$ 10; agora valem R$ 15,90.

O salto veio há alguns dias, quando o BTG Pactual e o Bradesco BBI, que começaram a acompanhar os números da empresa e recomendaram a compra das ações.

O BTG aposta que o papel pode chegar a R$ 18. O BBI foi além, diz que pode valor R$ 20. Isso quer dizer que, pelas projeções, o papel ainda subirá entre 13% e 25%.

Essas apostas têm tudo a ver com o crescimento do e-commerce no país.

A Méliuz ganha dinheiro e consegue te devolver uns cascalhos porque serve de ponte entre lojas online e sua vontade de comprar. São 800 empresas diferentes: tem Americanas, Renner, Mercado Livre, Rappi e Uber, por exemplo. E o ponto é que a pandemia acelerou o processo de transição das compras em lojas físicas para o online. Todo mundo quer vender pela internet e fica cada vez mais difícil atrair o consumidor.

No fim, esse é o negócio da Méliuz. A cada vez que você usa um cupom deles e coloca um produto no carrinho de um e-commerce qualquer, a varejista dona do carrinho virtual paga uma comissão à startup.

A Méliuz vende também “inteligência de mercado” para os sites, ou seja, informações com base no seu padrão de consumo para que as lojas consigam te fisgar e te convencer a comprar alguma coisa. Você não achou que esse dinheiro de volta era de graça, achou?

Foi assim que a receita da startup somou R$ 25,6 milhões no terceiro trimestre, alta de 14% na comparação com igual período de 2019. Já o lucro cresceu 46%, para R$ 4,7 milhões.

Ao olhar para esses números (e vários outros), os analistas do Bradesco afirmam que o valor de mercado da empresa na comparação com a receita está muito abaixo do dos demais negócios ligados à tecnologia.

A Méliuz também tem um outro ponto forte, na avaliação dos analistas: as parcerias no mundo financeiro. Ela é o programa de recompensas de um cartão de crédito do Banco Pan. E essa estratégia tem tudo a ver com o novo momento do mercado de cartões.

Quando a Méliuz surgiu, lá em 2011, ninguém queria saber de cashback. Sério. Para ter um cartão que devolvesse dinheiro na fatura em vez de pontos, seria preciso pesquisar muito. O negócio mesmo eram os pontos que viram milhas (ainda é, apesar das viagens exíguas nesse triste 2020).

Só que isso mudou um pouco nos últimos anos.

Com a guerra de anuidades, que levou essa taxa virtualmente a zero, os programas de recompensa precisaram mudar. Sim, porque as milhas também não são de graça, vem em boa parte da anuidade que você paga(va) para o banco.

E aí os cartões novatos precisaram encontrar um jeito de atrair a leva de clientes que não desapegavam das recompensas. Adotam algum modelo de cashback hoje os bancos Original, C6, Inter, Credicard e PagSeguro.

Claro que isso também significa concorrência.

“O negócio de cashback ainda é incipiente e a maior atenção ao produto pode beneficiar um player independente como a Méliuz, mas a chegada de novas companhias com oferta ampla de produtos financeiros deve representar um risco”, disse o BTG sobre o aumento da concorrência.

É o BTG que vê a chance de, mesmo após o IPO, a Méliuz ser comprada por alguma fintech interessada em ampliar o leque de serviços. A inspiração viria do PayPal, que comprou uma startup parecida com a nossa brazuca.

Por fim, há mais um mérito nessa história da Méliuz. Ela abriu a porteira para a estreia de empresas de tecnologia na bolsa brasileira, não conhecida pela velha economia.

Depois dela, chegou o brechó online Enjoei e estão na fila, para 2021, outras tantas como a Westwing e a Mobly (móveis e coisas para casa) e a Wine (vinhos). São todas empresas que surgiram como startups.

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E por que decidimos contar essa história hoje?

Porque esse foi um daqueles dias bem chatos do Ibovespa. Durante a tarde, ele chegou a bater os 119 mil pontos e fez a Faria Lima sonhar com uma nova marca histórica. Mas a alegria durou pouco, o índice cedeu e terminou com o modesto ganho de 0,46%, a 118.400 pontos. É a maior alta desde janeiro? É. Mas já era desde terça, quando o Ibov finalmente zerou as perdas do ano.

E não teve nada muito empolgante no noticiário de político e econômico para explicar essa altinha, sabe? Poderíamos dizer que foi a continuidade da entrada de recursos estrangeiros, qualquer coisa sobre a vacina, mas é só. Chato e você já leu isso antes.

No exterior, as altas de S&P, Nasdaq e Dow Jones também foram por aí, na faixa do 0,50%. Vamos aguardar por uma sexta-feira mais emocionante. Até amanhã!

Maiores altas

Braskem +7,59%

Totvs +5,36%

Cosan +4,59%

PetroRio +3,74%

CSN +3,70% 

Maiores baixas

CVC -3,29%

Ultrapar -2,58%

Santander -2,40%

Azul -2,37%

MRV -2,10%

Petróleo

WTI: +1,21%, a US$ 48,40

Brent: +0,88, a US$ 51,53

Dólar

-0,54%, a R$ 5,0788

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