Quinto dia de audiências da morte de menino em Planalto tem depoimentos de policial civil e de delegado


Após um dia de intervalo, audiências são retomadas. Ainda nesta semana serão ouvidos amigos e parentes do pai de Rafael e a ré Alexandra Dougokenski. Rafael Mateus Winques ficou desaparecido por 10 dias
Divulgação/Polícia Civil
Após um dia de intervalo nas audiências da morte de Rafael Winques, de 11 anos, o quinto dia de depoimentos começou às 9h desta quarta-feira (16), em Planalto, na Região Norte do RS. Rafael foi morto no dia 15 de maio, mas o corpo só foi localizado 10 dias depois quando a mãe, Alexandra Dougokenski, confessou o crime.
Nesta quarta foram ouvidos a policial civil Caroline Hercolani Alegretti e o delegado Eibert Moreira Neto.
Inicialmente, o TJ publicou que os depoentes seriam uma perita e um delegado. Entretanto, após a publicação da reportagem, informou que seria uma policial e um delegado.
O primeiro a depor foi Eibert Moreira Neto. O delegado que trabalha em Porto Alegre foi designado para auxiliar nas investigações em Planalto quando o corpo de Rafael foi encontrado. Ele permaneceu um mês na cidade.
Diz que no primeiro depoimento, Alexandra contou que deu remédio para Rafael acalmar-se, o que teria causado a morte acidental. Depois, ela usou a corda, colocada sobre os ombros, para arrastar o corpo. Com o movimento, a corda parou no pescoço.
Neste momento, a polícia ainda não tinha o laudo que apontou a morte por asfixia. No primeiro depoimento Rodrigo, pai de Rafael, não foi mencionado, segundo o delegado.
Ele destaca que antes de segundo depoimento, Alexandra perguntou ao delegado Ercílio se poderia mudar a versão sobre o fato. Depois, ela teria desistido dessa mudança.
Por fim, em “relato livre, espontâneo”, “muito tímido”, conforme Eibert, Alexandra contou que, incomodada com o comportamento de Rafael, pegou a corda e apertou no pescoço de Rafael. “Aí eu fiz o que fiz”, teria dito.
Diz que Alexandra nunca foi coagida ou constrangida a confessar. “Não recebo meu salário para fazer isso. Jamais faria algo ilegal”, diz.
Durante a reprodução simulada dos fatos, o delegado destaca que Alexandra voltou a dizer que a morte de Rafael foi acidental. Antes disso, ao conversar com o filho e o namorado, foi a primeira vez que ela disse que Rodrigo, pai da vítima, teria cometido o crime.
No transporte de Alexandra para o local da reprodução, equipe da Susepe encontrou “meia dúzia de comprimidos” no cabelo da ré, de acordo com o delegado.
Eibert destaca que Alexandra teria “se transtornado” quando chegou à casa da família e percebeu a bagunça no local. Diz que ré “não demonstrava sensibilidade com a falta de Rafael”.
A segunda a depor foi a policial civil Caroline Hercolani Alegretti. Ela participou da condução de Alexandra a Porto Alegre para depor. A ré estava “calma, tranquila. Sem alteração no emocional”. A promotora questionou se Alexandra foi coagida e a policial respondeu que “em nenhum momento”.
Próximos depoimentos
Na quinta (17) a partir das 13h15, depõem uma testemunha de defesa, a irmã e três amigos de Rodrigo Winques, além do proprietário do imóvel onde o pai de Rafael mora.
Na sexta (18), último dia de audiências, um médico legista e a ré Alexandra Dougokenski serão ouvidos.
Depoimentos já prestados
No primeiro dia de audiências, quarta-feira (9), o pai de Rafael, Rodrigo Winques, foi ouvido. Sobre o relacionamento com o filho, ele disse que não mantinha contato diário, mas seguidamente “falava pelo telefone”. Segundo ele, a mãe às vezes não deixava ele conversar muito com o filho.
Na quinta-feira (10), segundo dia de audiências, foram ouvidos o ex-padrasto do menino, namorado de Alexandra na época do crime, uma professora de Rafael, um vizinho da família e a mãe do melhor amigo da vítima.
No terceiro dia, o delegado Ercílio Carletti prestou depoimento e falou sobre a investigação do crime.
“Tudo começou com o registro de ocorrência do desaparecimento do menino, feito por Alexandra. Ouvimos diversas pessoas, inclusive ela, que foi dando informações, muitas delas, para nos ludibriar, como descobrimos depois. No decorrer da investigação, surgiram pequenos detalhes no depoimento dela. Ela se demonstrava muito calma. Isso nos chamou atenção”.
No quarto dia, a avó de Rafael e mãe de Alexandra, Isailde Batista, e o irmão mais velho do menino prestaram depoimento, além de outras testemunhas. “Pessoa tranquila. Não chego perto dela como mãe”, comparou Isailde.
O irmão afirmou que ficou sabendo do desaparecimento do irmão quando acordou, no dia seguinte, perguntou de Rafael para a mãe e ela disse que ele estaria na avó. Quando Isailde falou que o menino não estava na casa dela, Alexandra teria se desesperado.
Para o jovem, Alexandra era uma mãe carinhosa com ambos. “Mãe que cuidava sempre, nunca deixava faltar nada. Nunca ergueu um dedo pra bater na gente”, garante.
O adolescente também relatou que, na noite anterior ao desaparecimento, viu luzes acesas depois da meia-noite no quarto de Rafael e, depois, no banheiro. Imaginou que fosse o irmão. Também diz ter ouvido gritos de “para, pai, para”, que achou ser de uma briga no vizinho.
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