Reforma do Anhangabaú passa dos R$ 105 milhões


Obra orçada em R$ 80 milhões está em R$ 105,6 milhões, e já foi transferida para exploração comercial pela iniciativa privada por R$ 6,5 milhões. Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) diz que aumento do valor já estava previsto no contrato, já que a Lei das Licitações determina acréscimo após 12 meses de execução. Vale do Anhangabaú ainda em obras no mês de outubro de 2020, na data em que a Prefeitura de São Paulo pretendia reinaugurar área
Rodrigo Rodrigues/G1
As obras de requalificação do Vale do Anhangabaú, no Centro da capital paulista, chegaram aos R$ 105,6 milhões, valor 32% maior do que o previsto inicialmente, de acordo com a Prefeitura de São Paulo.
A reconstrução do cartão-postal da cidade começaram há pouco mais de um ano, em junho de 2019. O contrato foi assinado em novembro de 2017, ao valor de R$ 80 milhões.
Desde o início do serviço, este investimento já passou por ao menos oito termos de aditamento de contrato entre a gestão municipal e o Consórcio Central, que, inicialmente, elevaram os custos totais para R$ 93,8 milhões.
De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), o novo aumento, de R$ R$ 11,8 milhões, corresponde a um reajuste que já estava previsto no contrato, pois a Lei das Licitações determina um acréscimo quando as obras ultrapassam os 12 meses de execução.
O G1 teve acesso ao contrato, assinado há 36 meses, questionou a Prefeitura de São Paulo qual é a cláusula que especifica o valor do reajuste e o motivo para que ele tenha sido feito somente em novembro de 2020. A reportagem aguarda retorno.
Concessão à iniciativa privada por R$ 6,5 milhões
A gestão Bruno Covas Covas (PSDB) aposta especialmente no “benefício econômico” que a reconstrução do Vale do Anhangabaú vai trazer ao Centro de São Paulo, com mais eventos e maior circulação de pessoas.
Em contrapartida, entidades e especialistas acham que não houve diálogo suficiente para a implementação de uma obra desse porte, apontam os impactos de mudar a cara de um local de importância histórica, e o projeto de fontes e luzes não agradou aos internautas, que viralizaram um vídeo do local em testes.
Após todo o investimento e com as obras adiantadas, a Prefeitura de São Paulo concedeu em outubro o Vale do Anhangabaú para gestão e exploração comercial à iniciativa privada pelo prazo de 10 anos por R$ 6,5 milhões, a maior proposta feita na concorrência pública.
A concessionária terá que investir na manutenção e revitalização do espaço reformado e, em contrapartida, poderá explorar comercialmente a área. No local deverão ser gratuitamente promovidas atividades culturais, educativas, esportivas ou recreativas, e quiosques serão alugados para comércio e alimentação.
O consórcio também deverá implantar o Museu dos Direitos Humanos e Cidadania na Galeria Prestes Maia, que liga a Praça do Patriarca até o Anhangabaú, por baixo do Viaduto do Chá, agregando ao circuito de cultura e artes na região central de São Paulo.
Na ocasião do anúncio do início das obras, a estimativa era de que a área fosse reinaugurada em meados deste ano, em junho. Depois, a promessa passou para setembro, então outubro, até que o consórcio pediu mais dois meses.
Documentos obtidos com exclusividade pelo G1 em setembro deste ano indicaram que a reforma do Vale do Anhangabaú deverá ser totalmente concluída apenas em fevereiro de 2021.
Ilustração mostra expectativa da Prefeitura de São Paulo de como deve ficar área dos aspersores no novo Vale do Anhangabaú
Prefeitura de São Paulo/Divulgação
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