Secretário-geral da ONU pede que o mundo declare estado de emergência climática

O apelo de António Guterres foi durante a cerimônia que celebrou o aniversário de cinco anos do Acordo de Paris. O Brasil não foi convidado a discursar. Secretário-geral da ONU pede que o mundo declare estado de emergência climática
Na Cúpula do Clima, o chefe da Organização das Nações Unidas pediu aos líderes mundiais que declarem estado de emergência climática. O Brasil não foi convidado a discursar.
O secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, avisou que o mundo pode enfrentar um aumento catastrófico de temperatura de mais de três graus neste século. Por isso, pressionou por declarações de estado de emergência climática até os países neutralizarem as emissões.
A Cúpula da Ambição do Clima marcou meia década do Acordo de Paris, celebrado na ocasião como histórico.
Em 2015, os países signatários se comprometeram a revisar suas metas a cada cinco anos. Ou seja, precisavam apresentar esses compromissos agora em 2020. Mas, como a Conferência da ONU sobre o Clima que estava marcada para novembro foi adiada por causa da pandemia, o evento deste sábado serviu como uma oportunidade para governos formalizarem novos objetivos e não deixarem o assunto esfriar.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reforçou a meta de reduzir as emissões de CO2 em 68% até 2030, em comparação com 1990. A presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, em diminuir as do bloco em pelo menos 55%. O presidente Xi Jinping garantiu: “A China sempre honra seus compromissos”. O país que mais polui no mundo já tinha se comprometido a neutralizar as emissões de carbono até 2060. Até o Papa Francisco fez promessa: zerar as emissões do Vaticano até 2050.
A ONU explicou que apenas líderes com planos ambiciosos foram convidados a discursar. O presidente americano, Donald Trump, que anunciou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, naturalmente ficou de fora. Mas o presidente eleito, Joe Biden, fez questão de afirmar, numa rede social, que vai voltar ao acordo no primeiro dia de mandato e que o objetivo é zerar as emissões até 2050. O presidente Jair Bolsonaro também não apareceu na lista de 77 nomes. O governo brasileiro anunciou as metas do país esta semana, mas especialistas consideram o plano insuficiente.
“Sem dúvida, é um sinal muito claro. Mais claro do que isso é impossível. Sinal de que os países estão cansados, de que é um basta a toda essa situação antiambiental praticada pelo governo do Brasil. Na verdade, a meta do Brasil diz que o país vai poluir mais”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.
O Ministério do Meio Ambiente brasileiro não respondeu aos nossos questionamentos.
Adicionar aos favoritos o Link permanente.