Sexto dia de audiências em Planalto tem depoimentos de irmã e amigos do pai de Rafael


Ao todo, 16 pessoas foram ouvidas. Audiências terminam nesta sexta-feira (18) com o depoimento da ré pela morte do filho, Alexandra Dougokenski. Rafael Mateus Winques foi encontrado morto 10 dias após desaparecimento
Divulgação/Polícia Civil
O sexto dia de depoimentos da morte de Rafael Winques, de 11 anos, começou às 13h15 desta quinta-feira (17), em Planalto, na Região Norte do RS. Rafael foi morto no dia 15 de maio, mas o corpo só foi localizado 10 dias depois quando a mãe, Alexandra Dougokenski, confessou o crime.
No penúltimo dia de audiências estão previstos os depoimentos de uma testemunha de defesa, da irmã e três amigos de Rodrigo Winques, além do proprietário do imóvel onde o pai de Rafael mora.
A primeira testemunha é Rosemar Winques Ostroski, irmã de Rodrigo Winques. Ela foi convocada pela defesa e vai depor direto do Foro de Bento Gonçalves, na Serra.
Na sexta (18), último dia de depoimentos, um médico legista e a ré Alexandra Dougokenski serão ouvidos.
Depoimentos já prestados
No primeiro dia de audiências, quarta-feira (9), o pai de Rafael, Rodrigo Winques, foi ouvido. Sobre o relacionamento com o filho, ele disse que não mantinha contato diário, mas seguidamente “falava pelo telefone”. Segundo ele, a mãe às vezes não deixava ele conversar muito com o filho.
Na quinta-feira (10), segundo dia de audiências, foram ouvidos o ex-padrasto do menino, namorado de Alexandra na época do crime, uma professora de Rafael, um vizinho da família e a mãe do melhor amigo da vítima.
No terceiro dia, o delegado Ercílio Carletti prestou depoimento e falou sobre a investigação do crime.
“Tudo começou com o registro de ocorrência do desaparecimento do menino, feito por Alexandra. Ouvimos diversas pessoas, inclusive ela, que foi dando informações, muitas delas, para nos ludibriar, como descobrimos depois. No decorrer da investigação, surgiram pequenos detalhes no depoimento dela. Ela se demonstrava muito calma. Isso nos chamou atenção”.
No quarto dia, a avó de Rafael e mãe de Alexandra, Isailde Batista, e o irmão mais velho do menino prestaram depoimento, além de outras testemunhas. “Pessoa tranquila. Não chego perto dela como mãe”, comparou Isailde.
O irmão afirmou que ficou sabendo do desaparecimento do irmão quando acordou, no dia seguinte, perguntou de Rafael para a mãe e ela disse que ele estaria na avó. Quando Isailde falou que o menino não estava na casa dela, Alexandra teria se desesperado.
Para o jovem, Alexandra era uma mãe carinhosa com ambos. “Mãe que cuidava sempre, nunca deixava faltar nada. Nunca ergueu um dedo pra bater na gente”, garante.
O adolescente também relatou que, na noite anterior ao desaparecimento, viu luzes acesas depois da meia-noite no quarto de Rafael e, depois, no banheiro. Imaginou que fosse o irmão. Também diz ter ouvido gritos de “para, pai, para”, que achou ser de uma briga no vizinho.
O quinto dia de audiências teve depoimentos da policial civil Caroline Hercolani Alegretti e do delegado Eibert Moreira Neto.
O delegado Eibert falou sobre os depoimentos da ré e como ela mudou as versões dos fatos. Ela disse em um primeiro momento que deu remédio para Rafael acalmar-se, o que teria causado a morte acidental. Depois, ela usou a corda, colocada sobre os ombros, para arrastar o corpo. Com o movimento, a corda parou no pescoço.
Por fim, em “relato livre, espontâneo”, “muito tímido”, conforme Eibert, Alexandra contou que, incomodada com o comportamento de Rafael, pegou a corda e apertou no pescoço de Rafael. “Aí eu fiz o que fiz”, teria dito.
A segunda a depor foi a policial civil Caroline Hercolani Alegretti. Ela participou da condução de Alexandra a Porto Alegre para depor. A ré estava “calma, tranquila. Sem alteração no emocional”. A promotora questionou se Alexandra foi coagida e a policial respondeu que “em nenhum momento”.
Relembre o caso
Rafael Mateus Winques, de 11 anos, estava desaparecido desde o dia 15 de maio, em Planalto. Dez dias depois, a Polícia Civil encontrou o corpo do menino em uma caixa de papelão no terreno em frente à casa em que morava com a mãe e o irmão.
Alexandra Salete Dougokenski admitiu o crime, em depoimento à polícia, mas inicialmente alegou se tratar de morte acidental por excesso de dosagem em um medicamento.
No entanto, um laudo do IGP apontou como causa da morte asfixia mecânica por estrangulamento. Alexandra, então, mudou a versão apresentada e admitiu o estrangulamento.
O IGP realizou um trabalho de reconstituição e apontou contradições nos depoimentos.
Em julho, o Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou Alexandra por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual.
Em setembro, o pai, uma professora e o então namorado da mãe foram ouvidos na primeira sessão da audiência sobre o crime. A segunda foi cancelada após defesa e acusação não terem acesso aos anexos do processo.
Alexandra segue presa preventivamente desde julho.
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