Suspeitos de agredirem e matarem bancária, marido e amiga são denunciados pelo MP-BA mais de um ano após crime


Selma Regina Vieira da Silva, de 42 anos, foi agredida no dia 14 de abril de 2019. Houve atraso no andamento do inquérito e envolvidos só foram denunciados em novembro deste ano. Atraso no início das investigações dificulta andamento de casos de feminicídio
Em abril de 2019, uma bancária morreu após ser espancada na casa onde morava na Avenida Paralela, em Salvador. As investigações da polícia apontam que os suspeitos do crime são o marido dela e a amante dele. A família da vítima relatou que houve um grande atraso no andamento do inquérito e os envolvidos só foram denunciados em novembro deste ano.
A bancária Selma Regina Vieira da Silva Almeida, de 42 anos, foi agredida no dia 14 de abril de 2019. A morte foi constatada no hospital, três dias depois.
“Tudo o que Selma fazia, era em prol da família dela, era para a manutenção da família. Selma era amada, querida e a gente não vai deixar isso do jeito que está”, disse a advogada Maristela Vieira, prima da vítima.
Segundo a família, após a morte de Selma, a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), indicou que a ocorrência fosse registrada na 10ª Delegacia de Pau da Lima, já que a vítima estava internada em um hospital na região.
Na unidade, a orientação foi de ir até a 12ª Delegacia, em Itapuã, já que a casa do casal, onde Selma foi espancada, ficava na Av. Paralela. A Polícia Civil informou que a Corregedoria está apurando essa situação.
Suspeitos de agredir e matar bancária em Salvador são denunciados pelo MP-BA um ano após o crime
Reprodução/TV Bahia
Ainda assim, a família contou que, por se tratar de um homicídio, foi informada que o caso devia ficar sob a responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Isso só aconteceu mais de 90 dias depois do ocorrido, em agosto de 2019, quando o Ministério Público da Bahia (MP-BA) assumiu o caso.
“Esse inquérito só saiu da 12ª Delegacia, no dia que eu requisitei ao delegado-chefe, para requisitar o delegado. Só então começaram as investigações, que tiveram que ser bem minuciosas porque todas as provas já haviam sido deletadas e apagadas pelo acusado”, explicou o promotor David Gallo.
Selma e o marido Eden Marcio Lima de Almeida estavam juntos há 24 anos e tinham duas filhas. Para a família, Selma nem sempre contava coisas que aconteciam, por medo de se separar e até perder a guarda das crianças. Os familiares contaram que o marido de Selma se relacionava com a estudante Anna Carolina e a vítima teria aceitado a situação.
De acordo com a denúncia do MP-BA, com o passar do tempo, a vítima e os denunciados passaram a viver um triângulo amoroso, quando o suspeito teria perdido o amor que sentia pela vítima. Além disso, Selma teria se apaixonado pela suspeita, o que gerou várias discussões e agressões físicas do denunciado em relação à vítima.
Também segundo o documento, no dia do crime, a vítima e os dois suspeitos foram a uma festa onde usaram entorpecente e álcool. Horas depois, já na casa do casal, a denúncia diz que houve uma discussão entre os três, com a vítima sido golpeada em diversas partes do corpo pelos suspeitos, como cabeça, nádegas, coxas, joelhos, braços e rosto, conforme o laudo cadavérico.
Bancária morre após ser agredida em Salvador; suspeitos são denunciados pelo MP-BA um ano após o crime
Reprodução/TV Bahia
Ainda segundo a denúncia, durante as agressões, a vítima, na tentativa de se salvar, fugiu do apartamento com as chaves do próprio veículo, entrou no veículo e saiu da garagem sem rumo certo, bastante machucada.
“Não existe crime perfeito, existe crime mal investigado. Eles sempre deixam um rastro e foi nesse rastro que nós chegamos à culpabilidade deles. Fiz questão de fazer uma denúncia bem minuciosa que é para ficar claro. É o típico feminicídio”, contou o promotor.
A equipe da TV Bahia tentou falar com os suspeitos e a defesa dos dois mas. até a publicação desta reportagem, não obteve retorno.
Depois de juntar todas as provas e depoimentos, a denúncia foi oferecida a Justiça no dia 20 de novembro deste ano. A prisão preventiva dos suspeitos foi solicitada, pelo crime de feminicídio e sem possibilidade de defesa da vítima.
“Que a gente tenha aquela segurança de que Selma não vai ser mais uma, mais um dado estatístico, mais um caso que ficou para lá”, completou Maristela.
O Tribunal de Justiça da Bahia informou que, no momento, cabe ao juiz dar prosseguimento à fase processual, ouvindo testemunhas de acusação e defesa, assim como peritos e os réus.
Por o suspeito Éden Marcio ser tabelião do Cartório de Protesto de Títulos em Feira de Santana, a Comissão da Mulher da Ordem dos Advogados (OAB) disse, em nota, que repudia o caso e exige uma apuração imparcial e justa dos atos de violência sofridos pela vítima, para que os responsáveis sejam devidamente punidos.
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