Um por todos, todos por um: o maior desafio de um líder 

Mesmo as tarefas mais simples têm um grau razoável de complexidade. Exigem conhecimentos específicos, expertises únicas adquiridas ao longo do tempo. O indivíduo é fundamental nesse processo, mas sozinho ele não tem como ir muito longe. Ele precisa estar integrado a uma equipe à qual agregará valor – e vice-versa. Mais do que isso, ele precisa compartilhar com esse time uma cultura organizacional.

Tais considerações me ocorreram durante a leitura de Team of Teams, de Stanley McCrystal, sobre a guerra do Afeganistão. O livro narra que, ao chegar lá, o Exército americano encontrou uma situação totalmente diferente da prevista.  Tiveram de implementar mudanças radicais nos planos, e isso só foi possível graças a uma cultura comum e a valores consolidados. Como não haveria tempo para grandes discussões, foi necessário usar a criatividade individual, que se alinhava no coletivo justamente pela cultura comum. 

É patente que, num mundo com tanta informação e alto grau de exigência, seria impossível atender a demandas sem constituir times. Embora as expertises sejam individuais, há que existir uma plataforma comum entre os atores – o que denominamos de cultura. Esse é, provavelmente, o grande desafio dos que se preocupam com a estratégia e a perenidade de uma corporação: garantir que a cultura organizacional, apoiada em valores sólidos e transparentes, permeie todos os que participam do projeto.

Cultura organizacional é um conjunto de valores, crenças e hábitos compartilhados pelas pessoas que compõem uma empresa. Na prática, é a manifestação dos valores e propósito da companhia. Essa cultura, alinhada às estratégias da organização, norteia as atividades da empresa, tornando-a única. Arrisco dizer que o maior desafio do líder em uma organização é criar um ambiente favorável à disseminação de uma cultura.

Na área da saúde, na qual atuo, isso tem se mostrado absolutamente vital. O cuidado com o paciente, que exige recursos tecnológicos, requer profissionais que se complementam. Não obstante o foco no paciente, existe um pano de fundo que une essas competências – é a chamada cultura.  Quando a cultura reforça conceitos de qualidade ligados à segurança do paciente e à sua experiência, a satisfação é mais positiva. Portanto, antes mesmo do conhecimento técnico específico, deve existir uma uniformidade desse entendimento.

O trabalho em equipe ocorre quando um grupo ou uma sociedade resolve criar um esforço coletivo para resolver um problema. Pode também ser descrito como um conjunto ou grupo de pessoas que se dedicam a realizar uma determinada tarefa. 

O objetivo do trabalho em equipe é empreender esforços conjuntos para atingir metas, alcançar propósitos e trazer resultados positivos. Acredito que, para que isso aconteça, o líder deve aproveitar o lado positivo das pessoas e ajudá-las a desenvolver competências que são normais na dinâmica de um grupo. O sentido da complementaridade é um quesito importante que une as habilidades individuais no esforço da busca de um propósito maior para todos. É, de certa maneira, uma atualização do lema dos três mosqueteiros – um por todos, todos por um.

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