Vacina contra a Covid: tira-dúvidas explica as principais questões sobre imunização contra o coronavírus


Com a vacina cada vez mais próximas, muitas dúvidas surgem. Quem teve Covid-19 vai poder se vacinar? A técnica do RNA altera meu código genético? Posso abandonar os protocolos de higiene depois da imunização? Perguntas e respostas sobre as vacinas contra a Covid-19: grávidas podem se vacinar? Quando tomarei a vacina?
Giuliano Gomes/PR Press
A pandemia não tem data para terminar, mas a vacinação já começou para grupos de risco em alguns países. Nas últimas semanas, as empresas começaram a divulgar os dados de eficácia de suas candidatas contra a Covid-19, mas ainda existem muitas perguntas em aberto. Depois de vacinado, posso parar com os protocolos de higiene? Se eu já tive coronavírus, posso ser vacinado? Podemos tomar mais de uma vacina? Grávidas serão imunizadas?
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Abaixo, confira as principais perguntas e respostas sobre a vacina:
Posso parar de usar a máscara e álcool em gel após me vacinar?
As vacinas que utilizam a técnica do RNA alteram meu código genético?
Quem já teve Covid-19 deve ser vacinado?
É verdade que a vacina de Oxford não é eficaz em idosos?
Faz mal tomar misturar doses de vacinas diferentes?
Por que quem tem alergia corre risco com a vacina da Pfizer?
A vacinação contra a Covid-19 acabará com o coronavírus?
Um mesmo tipo de vacina funcionará para todas as pessoas?
Não sou grupo de risco, não sei quando serei vacinado pelo SUS. Poderei comprar a vacina em uma clínica particular?
Para quem as vacinas contra a Covid-19 não são indicadas?
Posso parar de usar a máscara e álcool em gel após me vacinar?
Não. O diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, alertou que as vacinas não significam zero Covid. “Vacinas e [campanhas de] vacinação não resolverão por si só o problema”.
As vacinas candidatas contra Covid-19 em estágio mais avançado precisam de duas doses e entre uma dose e outra existe um intervalo de semanas. O vírus continuará circulando até termos a cobertura vacinal e isso levará um tempo. Até lá é necessário usar máscara, manter o distanciamento, continuar com os protocolos de higiene. Quanto mais o vírus circula, mas ele se adapta, e a ideia é diminuir a circulação do vírus.
As vacinas que utilizam a técnica do RNA alteram meu código genético?
Não. A sequência genética humana não é afetada pela técnica do RNA, que é nova e vem sendo usada em vacinas em testes pelo mundo, com bons resultados. Duas vacinas usam essa técnica: a da Moderna e a da Pfizer/BioNTech. O mRNA (RNA mensageiro) leva a mensagem de qual proteína a célula deve produzir. Depois que entrega a mensagem, o mRNA se degrada rapidamente. “O mRNA não permanece e não tem como ele se integrar no nosso DNA ou alterá-lo”, explica Denise Garrett, epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin.
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Quem já teve Covid deve ser vacinado?
Sim. Especialistas dizem que os dados iniciais indicam que sim. A vacina pode oferecer uma imunidade mais duradoura e trazer mais benefícios em relação à nossa imunidade natural.
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É verdade que a vacina de Oxford não é eficaz em idosos?
Não é possível afirmar isso. Os dados apresentados no estudo de fase 3 não significam que a vacina não seja eficaz em pessoas com mais de 55 anos. Os pesquisadores explicam que o recrutamento de idosos começou mais tarde do que em adultos mais jovens. A eficácia não foi avaliada, pois é preciso ter um número suficiente de casos de Covid-19 entre os voluntários para indicar que a vacina está protegendo. Em novembro, um estudo de fase 2 mostrou que a vacina foi capaz de estimular o sistema imunológico, desencadeando uma resposta forte em idosos, ou seja, com boa imunogenicidade nessa faixa etária.
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Faz mal tomar misturar doses de vacinas diferentes?
Ainda não existem evidências sobre o intercâmbio das vacinas candidatas. A princípio, caso uma vacina exija duas aplicações, o previsto é que você tome as doses do mesmo imunizante. Entretanto, pesquisadores da AstraZeneca (desenvolvedora da vacina de Oxford) vão investigar o uso combinado da sua vacina com a Sputnik V, da Rússia. Eles disseram que o intercâmbio das vacinas pode aumentar a eficácia da imunização contra o coronavírus.
O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, alertou sobre as vacinas diferentes. “É importante saber qual foi a vacina que o cidadão vier a tomar. Há risco de reação adversa grave para quem tomar doses de vacinas diferentes”.
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Por que quem tem alergia corre risco com a vacina da Pfizer?
Não é bem assim. Os reguladores britânicos explicaram que qualquer pessoa com histórico de reação alérgica significativa a uma vacina, medicamento ou alimento não deveria tomar a vacina. Isso acontece também com outras vacinas, para outros vírus. A Pfizer excluiu pessoas com histórico de reações adversas significativas às vacinas ou aos ingredientes de seu imunizante nos testes. O diretor médico do NHS, o serviço público de saúde britânico, Stephen Powis, disse que “como é comum com as novas vacinas, a MHRA aconselhou, por precaução, que pessoas com histórico significativo de reações alérgicas não recebam esta vacina”.
A vacinação contra a Covid-19 acabará com o coronavírus?
Ainda não sabemos. Em maio, a OMS afirmou que não há como prever quando se o coronavírus irá desaparecer um dia, mesmo com uma vacina. Porém, ainda que a vacina não seja capaz de fazer o vírus desaparecer, ela será capaz de interromper as cadeias de transmissão e conter a disseminação entre as populações.
A previsão dos cientistas e da própria OMS é que o coronavírus se torne endêmico: à exemplo do que ocorre com o Influenza, que infecta novas pessoas todos os anos, o vírus continuará em circulação infectando aqueles que estiverem suscetíveis à Covid-19.
“É muito difícil prever quando vamos prevalecer sobre o vírus”, disse o diretor de emergências da OMS em maio, Michael Ryan. “E pode ser que isso nunca aconteça. Pode ser que [o coronavírus] nunca desapareça, que se torne endêmico, como outros vírus”.
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Um mesmo tipo de vacina funcionará para todas as pessoas?
Não. Além de casos específicos em certos grupos – grávidas, mulheres amamentando, alérgicos, entre outros – há a questão da faixa etária. Nosso sistema imune muda com a idade, logo, a resposta às vacinas também. Por isso, uma vacina que seja eficaz e segura em adultos pode não ser para crianças ou idosos, e vice-versa. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), todos estes fatores devem ser levados em conta na hora do governo estruturar um Plano Nacional de Imunização (PNI), prevendo que serão precisos mais de um tipo de vacina.
Não sou grupo de risco, não sei quando serei vacinado pelo SUS. Poderei comprar a vacina em uma clínica particular?
Ainda não há uma previsão de quando as clínicas particulares conseguirão comprar lotes das vacinas contra a Covid-19 que forem aprovadas no Brasil. Isso porque a orientação dos órgão de saúde nacionais e internacionais é que todas as doses produzidas pelos laboratórios neste primeiro momento sejam direcionadas aos governo, com a finalidade de garantir que as pessoas dos grupos de risco sejam imunizadas o mais breve possível. Assim, a resposta para esta pergunta dependerá, entre outros fatores, da capacidade de produção e entrega pelas farmacêuticas para atender tanto os governos como as clínicas particulares.
Para quem as vacinas contra a Covid-19 não são indicadas?
Até o momento, apenas a farmacêutica Pfizer desenvolvida em parceria com a BioNtech divulgou a bula da sua vacina contra a Covid-19. O documento informa que grávidas e mulheres que estão amamentando não poderão tomar o seu imunizante.
Laboratório Pzifer divulga bula da vacina contra a Covid-19
Do mesmo modo, as vacinas desenvolvidas pela Moderna e pela Universidade de Oxford não permitiram grávidas entre seus voluntários para os testes de fase 3.
Na Rússia, onde a vacina já começou a ser aplicada em trabalhadores mais expostos ao vírus, pessoas com mais de 60 anos, pacientes com doenças crônicas, mulheres grávidas ou lactantes não estão sendo imunizados.
Pessoas com histórico significativo de reações alérgicas, à algum alimento, à medicamentos ou à outras vacinas também não deverão receber as vacinas contra a Covid-19 disponíveis até o momento.
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