Vacina contra Covid-19: cientista da UnB diz que imunização deve ‘tomar o ano que vem todo, talvez até mais’


Em entrevista à GloboNews, professor Tarcísio M. Rocha Filho disse que Brasil deve levar, ‘no mínimo, seis meses’ para ter ‘algum controle sobre pandemia’. Governo federal entregou na sexta-feira (11), ao Supremo Tribunal Federal (STF), plano nacional de imunização. Cientista da UnB diz que imunização deve ‘tomar o ano que vem todo, talvez até mais’
O professor Tarcísio M. Rocha Filho, do Núcleo de Altos Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento e do Instituto de Física, da Universidade de Brasília (UnB), afirmou neste domingo (13), em entrevista a GloboNews, que a imunização da maioria da população brasileira contra a Covid-19 deve demorar pelo menos um ano.
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O governo federal entregou na sexta-feira (11), ao Supremo Tribunal Federal (STF), o plano nacional de imunização contra a Covid-19. O documento, entretanto, não apresenta uma data para o início da vacinação (veja mais abaixo).
De acordo com o cientista, a vacinação é a principal esperança para desacelerar a pandemia. No entanto, ele prevê que o Brasil deve levar, “no mínimo, seis meses” para ter “algum controle” sobre a situação.
“Controle total, só quando a gente vacinar a grande maioria da população e isso, a depender do número de doses, vai tomar o ano que vem todo, talvez até mais, dependendo de como as coisas vão se desenrolar.”
Tarcísio é um dos pesquisadores responsáveis por um estudo divulgado na sexta-feira (11), que mostra que o Distrito Federal e o Rio de Janeiro lideram o índice de infectados pela Covid-19 no país. A pesquisa também afirma que a existência de uma segunda onda de contaminação é “evidente” (veja mais abaixo).
Segundo o professor, o Brasil não tem capacidade para produzir vacinas suficientes para toda a população no ano que vem. Por isso, ele defendeu que o governo federal se antecipe para garantir a compra das doses.
“Então, vai ter que produzir mais rápido possível e tentar comprar o maior número possível de vacinas no mercado internacional, que vai estar bastante disputado por razões óbvias. Todos os países do mundo vão querer comprar essas vacinas, então a gente tem que entrar logo e estabelecer um grande número de doses e montar toda a logística pra vacinar o mais rapidamente possível o maior número de pessoas possível. Quão mais rápido a gente focar nisso, menor será o número de mortos.”
Cientista da UnB fala sobre capacidade para produzir vacinas para Covid-19
O pesquisador também defendeu que a vacinação seja obrigatória. Ele afirmou que as pesquisas indicam que o material é seguro. Ainda de acordo com o professor, se o índice de imunização contra a Covid-19 não chegar a pelo menos 80% da população, “não adianta”.
“É uma questão de segurança e de saúde pública. Quando eu deixo de me vacinar, é a mesma coisa que se eu deixar de usar máscara em público. Eu exponho pessoas que não tem nada a ver com a minha opinião pessoal”, disse.
“A minha responsabilidade, meus direitos acabam quando eu adentro a privacidade do outro, e não tomar a vacina em um momento como esse é adentrar a privacidade dos outros cidadãos e colocá-los em risco.”
Aumento do contágio
Cientista da UnB defende que vacinação contra Covid-19 seja obrigatória
Tarcísio também apontou os dados que indicam o aumento do contágio pelo coronavírus no Brasil como um sinal de alerta. “A pandemia está crescendo em praticamente todo o país e pode atingir números muito preocupantes no início do ano que vem, sobretudo depois das festas de final de ano. Então, é o momento de a gente pensar o que fazer.”
“As medidas de isolamento são desagradáveis, ficar trancado em casa é desagradável. Eu adoraria poder sair e poder viajar, poder ir à praia, encontrar os amigos em um restaurante, viver a vida de antes. Mas eu acho que é muito mais chato você ver um amigo ou um parente morrer por causa dessa doença como eu já vi muitos.”
“O isolamento é o preço a pagar pra gente não atravessar uma situação ainda muito mais desagradável.”
Segunda onda
Em entrevista à GloboNews, professor Tarcísio M. Rocha Filho
GloboNews/Reprodução
Na sexta-feira (11), foi publicada uma nota técnica emitida por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Brasília (UnB), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade Federal da Bahia (Uneb) e da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ-MG).
O documento aponta que o Distrito Federal ocupa o 1º lugar no ranking nacional que compara o percentual de moradores que já tiveram contato com o novo coronavírus. O índice chega a 24%. A posição é dividida com o estado do Rio de Janeiro, que apresenta o mesmo percentual.
De acordo com o estudo, “a situação no Brasil se deteriorou fortemente nas últimas duas semanas, e o início de uma segunda onda de crescimento de casos já é evidente em quase todos os estados, de forma particularmente preocupante nas regiões mais populosas do país”.
O número de pessoas que tiveram contato com o vírus é um dos dados monitorados para analisar os riscos de uma segunda onda de contaminação, por demonstrar a parcela da população que ainda está vulnerável. Estima-se que a “imunidade de rebanho”, que indica a resistência ao vírus, seja de pelo menos 60% a 70% da população.
Plano nacional de imunização contra a Covid-19
Governo entrega ao STF plano nacional de imunização contra a Covid
O governo entregou na sexta-feira (11), ao Supremo Tribunal Federal (STF), o plano nacional de imunização contra a Covid-19. O documento prevê a disponibilização de 108,3 milhões de doses para mais de 51 milhões de pessoas de grupos prioritários, divididos em quatro fases.
O documento, entretanto, não apresenta uma data para o início da vacinação dos integrantes desses grupos, que incluem profissionais de saúde e idosos, entre outros (veja as fases abaixo).
Uma nota técnica, que acompanha o plano encaminhado ao Supremo, diz que a previsão é vacinar esses grupos prioritários ao longo do primeiro semestre de 2021.
Horas após o anúncio, pesquisadores que assessoraram o Ministério da Saúde e têm os nomes citados no documento emitiram nota conjunta afirmando não terem sido consultados antes de envio do plano de vacinação ao STF.
Neste domingo (13), o Ministério da Saúde divulgou nota na qual afirma que pesquisadores que tiveram os nomes citados no plano nacional de vacinação do governo contra a Covid-19 foram convidados a participar, mas “sem poder de decisão na formalização do plano”.
Grupos prioritários
O plano define grupos prioritários para a vacinação. Essa etapa é dividida em quatro fases. Somando as quatro fases dos grupos prioritários, o plano prevê 108,3 milhões de doses.
O Ministério da Saúde pondera no plano que os grupos são “preliminares” e passíveis de mudanças a depender das indicações da vacina após aprovação da Anvisa, bem como possíveis contraindicações.
Primeira fase:
Trabalhadores de saúde: 5.886.718 pessoas
Pessoas a partir de 80 anos: 4.266.553
Pessoas de 75 a 79 anos de idade: 3.480.532
Pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas: 198.249
Indígenas: 410.348
Número de doses estimadas (duas doses por pessoa) + 5% de perda: 29.909.040
Segunda fase:
Pessoas de 70 a 74 anos: 5.174.382
Pessoas de 65 a 69 anos: 7.081.676
Pessoas de 60 a 64 anos: 9.091.902
Número de doses estimadas (duas doses por pessoa) + 5% de perda: 44.830.716
Terceira fase:
Pessoas com comorbidades: 12.661.921
Número de doses estimadas (duas doses por pessoa) + 5% de perda: 26.590.034
Quarta fase:
Professores, nível básico ao superior: 2.344.373
Forças de segurança e salvamento: 850.496
Funcionários do sistema prisional: 144.451
Número de doses estimadas (duas doses por pessoa) + 5% de perda: 7.012.572
VÍDEO: novidades sobre vacinas contra a Covid-19
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