Vale só deve entregar em fevereiro obras da nova captação de água no rio Paraopeba, previstas para setembro


A estação é necessária para garantir abastecimento de água para a Grande BH, já que parte do Paraopeba foi contaminado pela lama da barragem que se rompeu em 2019 em Brumadinho. Obras para implantação de novo ponto de capitação no Rio Paraopeba começaram em outubro e chegaram a ser suspensas por decisão judicial
Raquel Freitas/G1
A nova estação de captação de água do rio Paraopeba, que teve parte do seu leito contaminado pela lama da barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho há quase um ano, só deve ficar pronta em fevereiro. É o que disse a mineradora na última sexta-feira (11) à Comissão Especial de Estudo – Abastecimento Hídrico, da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
As obras estavam previstas para serem concluídas em setembro. A nova captação começou a ser construída em outubro do ano passado, após termo de compromisso assinado pela mineradora e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
O antigo sistema de captação do Rio Paraopeba foi construído pelo governo de Minas em 2015 para minimizar os impactos da crise hídrica. Mas, com o rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, em janeiro do ano passado, essa captação precisou ser suspensa, já que o rio foi atingido pelos rejeitos.
Rio Paraopeba em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte
Thais Pimentel/G1
A preocupação era que, sem a captação de água do rio, houvesse desabastecimento de água em Belo Horizonte e Região Metropolitana. Por isso, a Vale teve que construir o novo sistema, que fica 12 km acima da estrutura com captação suspensa, onde o rio não recebeu lama.
Segundo a comissão, o ofício enviado pela Vale diz que, embora “tenha tomado todas as ações cabíveis para mitigar qualquer impacto no cronograma da obra, a ocorrência de diversos eventos, em especial no ano de 2020, acabou por impactar negativamente o cumprimento dos prazos originalmente pactuados”.
Ainda de acordo com o ofício, uma vazão mínima, de 1 m³ por segundo, mesmo que provisória, iria começar em dezembro, aumentando até chegar a capacidade de 5 m³ por segundo em fevereiro de 2021.
A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou à Câmara Municipal que está previsto o início do período de operação assistida em fevereiro, com previsão de conclusão em abril de 2021. Ainda segundo a empresa, houve aumento de 15% no consumo de água na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o que já estaria provocando falta de água em alguns bairros.
Por outro lado, as chuvas do fim de ano elevaram os níveis dos reservatórios, o que deixaria as cidades que são abastecidas pelo Sistema Paraopeba em uma situação mais confortável.
Nesta quarta-feira (16), a comissão irá apresentar um relatório final sobre as questões hídricas que afetam Belo Horizonte, entre elas, as obras da nova estação no Rio Paraopeba.
O G1 procurou a Vale e a Copasa sobre o atraso nas obras e, até a conclusão desta reportagem, não tinha recebido resposta.
Nível dos reservatórios
O reservatório Rio Manso, que recebia a água bombeada do rio Paraopeba, estava com 74% até esta segunda-feira (14). Em outubro do ano passado, nove meses depois do rompimento, ele estava com 44,4% da capacidade.
Já o reservatório Vargem das Flores estava com 70%, nesta segunda. No ano passado, também em outubro, a capacidade estava em 49%.
O Serra Azul, que ficou em situação mais crítica durante a crise hídrica, se recuperou e estava com volume em 83% até esta segunda-feira. Em outubro do ano passado, o reservatório estava com 49,8%.
O sistema
O Sistema Paraopeba é responsável pelo abastecimento de 2,3 milhões de pessoas da Região Metropolitana de Belo Horizonte e abrange Betim, Brumadinho, Contagem, Esmeraldas, Ibirité, Igarapé, Juatuba, Lagoa Santa, Mário Campos, Mateus Leme, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, Sarzedo, São Joaquim de Bicas, São José da Lapa e parte de Vespasiano. Em BH, o sistema atende cerca de 25% da população da cidade.
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